Repensando a saúde da Amazônia
Onde o que se sabe na floresta encontra o que se constrói nos laboratórios, e os dois saem fortalecidos.
Em julho, MIT Critical Data e Ocean constroem essa sala no coração da Amazônia.
Dois dias com pesquisadores, profissionais de saúde, lideranças comunitárias, indígenas e estudantes, todos trabalhando no que uma IA boa para a saúde amazônica realmente significa.
Em Manaus, vamos desafiar narrativas importadas sobre o que é "inovação em IA", questionar quem decide o que os modelos aprendem sobre a região, e repensar como aplicações de IA em saúde podem ser construídas com as populações amazônicas, e não sobre elas.
A maior parte da programação é interativa. Painéis para provocar. Workshops para produzir. Saímos com protótipos, diagnósticos críticos, prompts adversariais e, esperamos, uma rede mais densa entre quem constrói tecnologia e quem vive os problemas que ela pretende resolver.
Cada dia abre com painéis e palestras curtas, e fecha com workshops de produção coletiva. Tudo construído para gerar artefatos reaproveitáveis que sobrevivam ao evento.
Como construir IA clínica que atenda quem vive nas margens dos rios e nas comunidades indígenas, não apenas quem está perto de hospitais terciários. Saúde, clima e qualidade do ar como temas integrados.
Quem decide o que a IA aprende sobre a saúde da Amazônia, quem fiscaliza seu uso em hospitais e centros de pesquisa, e o que do cuidado humano nenhum modelo substitui. O dia mais reflexivo do encontro.
Painéis de uma hora. Palestras de 30 minutos. Workshops de 90 minutos com debrief estruturado. Tudo desenhado para estimular pensamento crítico sobre LLMs aplicados à saúde amazônica.
Saúde amazônica e IA clínica
Recepção dos participantes com café regional. Saudações dos organizadores e parceiros institucionais.
Leo Anthony Celi
Quatro especialistas debatem o estado da arte da IA em saúde no contexto amazônico: telessaúde fluvial, diagnóstico assistido em UBS ribeirinhas, doenças tropicais negligenciadas e os limites de modelos treinados majoritariamente com dados do hemisfério norte. Perguntas da plateia integradas via QR code.
Conversa entre climatologia, pneumologia e saúde pública. Ondas de calor, fumaça das queimadas, qualidade do ar e seus impactos clínicos diretos na população amazônica. Como dados ambientais e modelos preditivos podem (ou não) orientar resposta de saúde em tempo real, e o que precisa estar instalado nos serviços de saúde antes para que a previsão vire ação efetiva.
Cada equipe recebe o resumo de uma IA clínica recente (em linguagem acessível) e três cenários amazônicos: uma UBS ribeirinha do médio Solimões, um hospital de referência em Manaus e um polo-base de saúde indígena. A tarefa é levantar, para cada cenário, os pré-requisitos de implementação: infraestrutura (conectividade, energia, equipamento), dados (qualidade, representatividade, disponibilidade local), pessoas (quem opera, treina, mantém), governança (consentimento, responsabilidade clínica, regulação) e adequação cultural e linguística. Onde um pré-requisito não pode ser atendido, a equipe registra isso como risco e propõe o que fazer: adaptar, mitigar ou não implementar.
Saída concreta: uma checklist de pré-requisitos de implementação por contexto, com pontos críticos sinalizados (pré-requisitos ausentes = riscos) e uma recomendação para cada um, formando um guia coletivo acionável por gestores e por quem desenvolve as ferramentas.
Workshop hands-on em que equipes constroem prompts adversariais para LLMs clínicos em português brasileiro, com gírias regionais amazônicas, termos populares para doenças (sezão, mãe-do-corpo, ressacaca, etc.) e cenários de saúde indígena. O objetivo é expor alucinação, viés cultural e falhas de raciocínio diagnóstico que benchmarks em inglês escondem.
Saída concreta: conjunto de prompts adversariais e respostas anotadas, alimentando um benchmark aberto regional construído ao longo do encontro.
Apresentações-relâmpago dos grupos, principais descobertas e encaminhamentos para o Dia 2.
Cuidado, ética e soberania de dados
Recepção, síntese rápida do Dia 1 e contextualização do tema do dia.
Painel sobre soberania de dados amazônicos aplicada à saúde, princípios CARE, governança comunitária e o que significa, na prática, recusar padrões importados que nunca contemplaram as populações da região. Espera-se confronto produtivo entre perspectivas acadêmicas, comunitárias e técnicas.
Alexandre Chiavegatto
Gustavo Monnerat
Sessão de prototipação coletiva. Como seria a consulta clínica aumentada por IA em uma comunidade do interior do Amazonas, com conectividade intermitente, agente comunitário como ponte e logística fluvial? E em uma UBS de Manaus, com agentes multimodais, escribas locais e encaminhamento entre níveis de atenção? Equipes mistas (clínicos, engenheiros, agentes de saúde, designers) usam LLMs para esboçar dois protótipos contrastantes e os defendem em pitch.
Saída concreta: dois protótipos narrados de encontro clínico aumentado, com identificação explícita do que a IA faz, do que não faz, e do que não deveria fazer.
Workshop em três blocos. Bloco 1, Resposta às cegas: cada equipe recebe os mesmos dilemas clínicos difíceis (como comunicar um diagnóstico grave a uma mãe ribeirinha ansiosa; como orientar uma família em luto; como explicar um tratamento a um paciente que desconfia da medicina formal) e, antes de tocar em qualquer IA, cada membro escreve sua própria resposta individualmente, para que a formação de cada um (medicina, saúde, computação) apareça. Bloco 2, A resposta da máquina: as mesmas situações são levadas a um LLM e as respostas registradas ao lado das humanas. Bloco 3, O contraste: a equipe compara lado a lado o que o LLM fez bem, onde soou convincente mas vazio, o que a resposta humana trouxe que o modelo não trouxe, e sintetiza uma conclusão.
Saída concreta: uma síntese coletiva, um quadro comparativo do que apareceu nas respostas humanas e ausente nas da IA (e vice-versa), fechado por uma conclusão sobre onde a IA ajuda, onde engana, e o que precisa permanecer humano. As sínteses reunidas formam um documento final do evento.
Síntese dos dois dias, compromissos coletivos, apresentação do benchmark colaborativo gerado durante o encontro e convite à edição seguinte. Confraternização final.
Todos os workshops têm 90 minutos, formato de fácil execução com equipes mistas, e são organizados em torno de uma única pergunta central que os grupos precisam responder até o final da sessão. O objetivo: usar LLMs como provocadores de pensamento crítico sobre saúde na Amazônia. Cada workshop produz um artefato concreto.
Equipes recebem o resumo de uma IA clínica e três contextos amazônicos: UBS ribeirinha do médio Solimões, hospital de referência em Manaus, polo-base indígena. Mapeiam os pré-requisitos de implementação em cada um (infraestrutura, dados, pessoas, governança e cultura) e onde um pré-requisito falta, registram como risco e propõem o que fazer.
Equipes constroem prompts adversariais para LLMs clínicos em português brasileiro, com gírias regionais, termos populares para doenças e cenários de saúde indígena, expondo alucinações, vieses culturais e falhas de raciocínio diagnóstico que benchmarks em inglês escondem.
Sessão de prototipação coletiva. Como seria a consulta clínica aumentada por IA em comunidade ribeirinha, com conectividade intermitente, agente comunitário como ponte e logística fluvial? E em uma UBS de Manaus, com agentes multimodais, escribas locais e encaminhamento entre níveis de atenção?
Diante dos mesmos dilemas clínicos difíceis, cada participante escreve sua resposta às cegas (medicina, saúde, computação). Depois, as mesmas situações vão a um LLM. A equipe compara as respostas humanas e a da máquina lado a lado, o que cada uma acerta, o que perde, e sintetiza uma conclusão.
Médicos, enfermeiros, agentes comunitários e gestores hospitalares atuando na atenção primária ou em hospitais de referência amazônicos.
Em IA, saúde pública, saúde global e ciência de dados aplicada à saúde amazônica.
De graduação e pós-graduação em medicina, enfermagem, saúde coletiva, computação, engenharia e ciências sociais, de instituições amazônicas e parceiras.
Indígenas, ribeirinhas e quilombolas, com perspectivas que precisam moldar a saúde e a pesquisa em saúde na região.
De secretarias municipais e estaduais de saúde, do Ministério da Saúde, da Fiocruz, e de órgãos de ciência, tecnologia e inovação em saúde.
Professores de cursos de medicina, enfermagem e áreas afins, e profissionais envolvidos na formação ética de novos profissionais de saúde.
Comitê organizador a ser confirmado em sua versão final, com representantes do MIT Critical Data, instituições amazônicas, parceiros clínicos e lideranças comunitárias.
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EGDois dias de painéis, palestras, workshops e construção coletiva no coração da Amazônia. As vagas são limitadas e as candidaturas são avaliadas à medida em que chegam.
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